O Exército de Caxias em Chapecó

Carlos Alberto Lima*
Quando nos tonamos adultos e decidimos pela profissão a seguir, a escolha é feita em primeiro lugar pelo dinheiro, em segundo pelo glamour e em terceiro lugar pelo amor. Se perguntarmos a um jovem o que desejar ser, ele rapidamente responderá médico. Essa profissão tem todos os ingredientes que buscam como profissão. Ela paga bem, tem glamour e é apaixonante.
E sobre a profissão das armas? Essa conheço bem e dela posso falar com propriedade. Sirvo ao Exército Brasileiro e ao Brasil desde 1973. São exatamente 43 nos servindo à Pátria. Não há no mundo profissão igual. Servir à Pátria representa honra indescritível.
Não voltei ao blog para falar da Marinha, Exército ou Aeronáutica, mas destacar o trabalho ímpar da Força Aérea Brasileira que resgatou em Medellín, os corpos dos jogares da Chapecoense. Planejado, sincronizado, perfeito.
Destaque quero dar ao 14° Regimento de Cavalaria Mecanizado, sediado em São Miguel do Oeste, organização militar onde servi por 8 anos. Encarregado pela organização das honras fúnebres militares, por ocasião da chegada dos esquifes com os carpos dos jogadores da Associação Chapecoense de Futebol, foi impecável.
Na caserna, dizemos que os militares são imunes ao tempo. Nas montanhas geladas da Europa, nas escaldantes caatingas do Nordeste ou na inclemente chuva que caía em Chapecó, misturada às emoções, lágrimas de familiares, amigos e torcedores, estavam soldados, cabos, sargentos e oficiais, provando que a frase é uma verdade. Coube a um pelotão os tiros de salva. Coube a outros, perfilarem-se com a lança, símbolo do cavalariano do Oeste Catarinense, mas coube a um grupo seleto e forte, carregar os ataúdes. A chuva, a lama, a grama, o peso, a força dispendida e o incomodo do uniforme ensopado foram detalhes. O esforço e cuidado em carregar cada esquife, demonstrou o respeito pelo que era conduzido de volta ao seu lar. Parabéns soldados de Caxias.
Os militares, principalmente os do Exército Brasileiro são assim. Cumprem as missões sem contestar e mais importante, onde ela deva ser cumprida.
Quanto a profissões, escolhi a melhor delas. Ser soldado não é para qualquer um, ser soldado é para poucos. Hoje, dia 2 de dezembro, testemunhamos ao vivo e em cores o trabalho de abnegados e dedicados cidadãos. Isso mesmo, porque em todo homem ou mulher fardado, há um cidadão brasileiro.
Orgulho é uma palavra forte e totalmente apropriada para este momento de comoção que toma conta do país. Nos orgulhamos das Forças Armadas que temos. Elas nos representam e em todos os momentos em que são empregadas, ensinam que o trabalho só terá sucesso, quando vier acompanhado de responsabilidade e competência.
As Instituições Militares, cabe ressaltar, são exemplos, porque possuem referenciais fixos, fundamentos imutáveis e universais. São os valores militares. As manifestações essenciais dos valores militares são: patriotismo, civismo, amor à profissão, fé na missão do Exército, espírito de corpo e aprimoramento técnico-profissional. Esses valores influenciam, de forma consciente ou inconsciente, o comportamento e, em particular, a conduta pessoal de cada integrante da Instituição.
O Exército Brasileiro e os soldados de Caxias são o braço forte e a mãos amiga, hoje à disposição nas homenagens de despedidas aos atletas da Chapecoense.
Aos cavalarianos de São Miguel do Oeste, obrigado pelo exemplo de amor ao trabalho que deram hoje. Deixo aqui a minha mensagem aos nobres cavalarianos do “Ponche Verde”.
“Sempre haverá uma Cavalaria. ”
*militar da reserva do Exército Brasileiro
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