GUAJARÁ ESTÁ DE LUTO: MORRE “MARTINZAO” O SUPER HEROI, O SOLDADO LEÃO

Guajará-Mirim está de luto, faleceu no final desta tarde de quarta-feira (05) por volta das 18hs40min no Hospital Regional de Guajará-Mirim, o Super Herói, “MARTINZÃO”, como era carinhosamente conhecido por todos.

“Martinzão” o Super Herói, deu sua parcela de contribuição de muita importância na comunidade  Guajaramirense, incentivador das causas sociais, grande incentivador do Esporte do Município, criador e incentivador da Banda Musical “Leões da Fronteira” da Escola Irma Maria Celeste a qual era marca registrada nos desfiles de 07 de Setembro, fazia um grande trabalho na Igreja Católica em varias áreas sócias, além de tudo Martinzão, era adepto da família, pai de família exemplar, deixa seu nome na história de Guajará-Mirim como um exemplo de dignidade e honestidade na qual criou uma família exemplar.

O SUPER HEROI – SOLDADO LEÃO

Fevereiro de 1968, um hidroavião catalina da força aérea brasileira sobrevoava a floresta Amazônia, a bordo 44 pessoas, 38 passageiros e 06 tripulantes.

10620767_10201860723754883_694196204438350986_nO trajeto do avião: do Forte Principe da Beira, um pelotão do exercito em Rondonia para a cidade de Guajará-Mirim, de repente um dos motores começa a falhar e o avião cai na floresta numa região de mata fechada, 04 passageiros morrem e 40 sobrevivem, começa um drama que marcaria para sempre a vida de todos e o cabo do exercito na época Francisco Martins do Nascimento, o soldado “Leão” que depois ficou conhecido como “Super Heroi”, o martinzão como era chamado carinhosamente por todos.

Os sobrevivente passaram dois dias e duas notes da selva, rezando para serem localizados pelos aviões de salvamento.

O soldado Leão (Martinzão) ajudou muito, deu a sua própria camisa para uma sobrevivente e cuidou das suas feridas, e cortava cipó e botava as gotinhas  na boca das meninas,  aquela água bem roxinha do cipó, disse uma sobrevivente em um relato ao fantástico.

FRANCISCO MARTINS DO NASCIMENTO: O Perfil do Herói

O  Cabo do Exército Francisco Martins do Nascimento, da reserva remunerada da instituição militar à qual serviu por trinta anos, distinguido no dia 24 de agosto com a Medalha do Pacificador, teve uma trajetória de vida muito digna de um herói. De família humilde de Porto Velho, ele chegou ao Forte do Príncipe da Beira na segunda  metade da década de 1960, mais precisamente em 1967, levado por uma empresa de construção civil que estava construindo uma vila militar naquele local. Era pedreiro, tinha pouco mais de 18 anos de idade, tinha uma esposa e três filhos, fato que indica que casou muito precocemente, que tinha vocação para pai de família.

No entanto, a despeito das responsabilidades com a família, ele era um jovem como os outros, gostava de dançar iê-Iê-iê e outras músicas da Jovem Guarda que reinava na época. E jogava futebol, jogava muito bem, fato que contribuiu para a sua fácil adaptação com os outros jovens do local que também praticavam muitos esportes naquela época. Das famosas peladas  vespertinas do Forte do Príncipe, realizadas diariamente entre as cinco da tarde até o cair da noite, veio-lhe o apelido pelo qual ele foi conhecido durante muitos anos: Leão. Tal apelido, que lhe foi posto pelo Cabo Erasmo, que não jogava nada de futebol mas treinava muito bem as equipes juvenis, nada teve a ver com o seu porte atarracado, mas sim com a basta cabeleira que cultivava na época, totalmente diferente dos jovens locais, que usavam invariavelmente o corte de cabelo no estilo militar. A longa cabeleira do Martins fez dele o Leão como é conhecido até hoje pelos seus contemporâneos daquela época. Anos mais tarde, já vivendo em Guajará-Mirim, ele ganhou novo apelido, passando a ser  conhecido como Martinzão.

Como se fosse uma predestinação, quando ele embarcou no Catalina em 1968, embora já houvesse recebido na incorporação ao Exército o nome de guerra de Martins, ele era de fato conhecido por Leão, e foi mesmo como um leão de verdade que ele se comportou na selva durante os três dias que duraram as buscas ao avião desaparecido nas selvas a poucos minutos de voo do aeroporto de Guajará-Mirim. E foi por esses atos de legítima bravura que ele foi agora distinguido, quarenta e quatro anos depois do acidente aviatório, com a honrosa Medalha do Pacificador, a mais alta comenda conferida pelo Exército. A longa espera não decorreu de ato de negligência ou ingratidão do Exército, mas sim de fortuito erro administrativo. Acontece que na época do acidente Francisco Martins era recruta do Exército incorporado há pouco tempo, não tinha direito a nenhuma licença, mas precisava ver a sua mãe enferma em Porto Velho. Solicitada a licença ao Comandante do Pelotão, Tenente Joari do Nascimento Barreto, este, com base no RDE, negou-lhe a permissão para a viagem. No entanto, a namorada do Comandante, Terezinha Paraguassu, que estava no Forte do Príncipe a passeio e também viajaria para Porto Velho no mesmo voo, ponderou com o Comandante para que concedesse a licença ao recruta. Não querendo desagradar à namorada, o Tenente Joari concordou em dar uma licença informal ao Soldado, estabelecendo, porém, que ele viajaria como civil, em trajes civis, que foi como de fato ele tomou o avião. A farda de Soldado que ele queria mostrar à mãe em Porto Velho foi guardada na mala.

O Comandante Joari também viajou no avião. Quando aconteceu o acidente, Martins prestou socorro a vários feridos e ficou logo com a roupa muito suja de sangue. Então, ele apresentou-se ao seu Comandante e solicitou formalmente para trocar a roupa suja pela farda que conduzia na mala, voltando a ser oficialmente um Soldado. O resto da história já é conhecido e nem precisamos rememorar aqui, pois o fato já foi bastante divulgado. Portanto, para os jovens que não conhecem bem a história, fica esclarecido aqui por que o Cabo Francisco Martins do Nascimento mereceu a Medalha do Pacificador e somente a recebeu depois de mais de quatro décadas.

FONTE: PORTAL GUAJARA

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