Clube MILITAR deixa claro que Forças Armadas não prestarão continência se governo romper com legalidade.

General Pimentel e equipe da Le Cocq

Clube MILITAR deixa claro que Forças Armadas não prestarão continência se governo romper com legalidade.

Hoje o Clube Militar realizou no Rio almoço em alusão ao 31 de março de 1964. Vários cidadãos e representantes de associações que apoiam os militares e defendem a eficácia da ação militar de 1964 estiveram presentes. CItamos, entre outras, a lendaria Scuderie Detetive Le Cocq e o grupo Pesadelo dos Políticos.

 

O General Purper publicou texto extremamente relevante, onde comenta sobre a existência de grupos já significativos que clamam por uma intervenção dos militares. O oficial diz que as FA não agirão impulsivamente e que se houver necessidade, se a hora chegar, os militares estarão presentes, mas sempre como a última instância.

“O Exército é uma força essencialmente obediente dentro da lei e da Constituição. Não quer isso dizer que ao Exército caiba o papel de jurista, de leguleio, de intérprete dos casos complexos na inteligência da Constituição e das leis brasileiras. Não. Mas quer dizer que, quando os atos do governo romperem ostensivamente, material e grosseiramente contra as leis e contra a Constituição, é não só direito, mas dever das Forças Armadas, não prestar obediência a estes abertamente rebelados contra a Constituição e contra as leis. ”

Nas redes sociais cariocas um general disse essa semana que “é uma quadrilha só”, se referindo à políticos e sua ligação com o TCE – RJ, entidade que no Rio é a responsável por aprovar as contas.

Veja o texto completo do Gal Purper, publicado nesse 31 de março de 2017

Em mais um 31 de março, voltamos a nos reunir para lembrar os já históricos fatos da segunda metade do século passado.

Naquela época, o mundo era sacudido pela mais intensa e desesperada tentativa comunista de tomada do poder em escala mundial.

Grupos tristemente famosos, como o Baader-Meinhoff (Fração do Exército Vermelho – Alemanha – 70/98), Brigadas Vermelhas (Itália – 69/80), Sendero Luminoso (Peru – 60-?), Tupamaros (Uruguai – 60/70), Montoneros (Argentina – 70/79), além das diversas organizações terroristas que atuaram no Brasil, empregaram a luta armada na tentativa de tomada do poder pela força, como preconizava na época o movimento comunista internacional.

No mesmo período, surtos de violência agitaram principalmente o mundo estudantil, notadamente em 1968 (Primavera de Paris, Primavera de Praga), além de protestos contra a guerra do Vietnã, da guerrilha do Araguaia, do surgimento das FARC e muitos outros acontecimentos que, aos poucos, foram sendo sufocados até desparecerem.

No Brasil, onde os subversivos usaram a luta armada sob o pretexto de combater o regime militar e de defender a democracia, mas com a finalidade já tantas vezes confirmada de estabelecer uma ditadura comunista nos moldes cubanos, muitos dos pretensos idealistas de então estão hoje presos ou enfrentando processos judiciais por envolvimento no maior escândalo de corrupção com dinheiro público da história.

Como consequência do assalto aos cofres públicos e do aparelhamento do Estado por mais de 20.000 “companheiros”, enfrentamos agora uma crise política, econômica e moral sem precedentes. As instituições do Estado, gravemente abaladas pela crise que a todos atinge, oscilam e se chocam, buscando preservar seu prestígio e seus privilégios, enquanto trocam acusações e se apresentam como últimos baluartes da decência e do patriotismo.

Enquanto isso, as Forças Armadas, os verdadeiros últimos baluartes, gozando, desde muitas décadas, da confiança inegável da população, como comprovam todas as pesquisas de opinião realizadas pelos mais diversos institutos, mantêm-se unidas e firmes no cumprimento de suas funções constitucionais, preservando a todo custo a legalidade e a legitimidade de suas posições e evitando envolver-se na caótica situação criada por empresários e políticos desonestos. Estes, por sua vez, tentam conchavos e manobras na ânsia de conciliar o inconciliável, os interesses políticos e pessoais de uma classe esfacelada e desmoralizada.

A crise nacional se acelera e agrava, com a violência aumentando e exigindo, cada vez mais, intervenções indesejáveis das Forças Armadas.

A gravidade da situação, em muitos aspectos, lembra 64. Por isso, aqui e ali, aumentam as pressões de grupos que hoje já são expressivos e atuantes clamando pela intervenção militar. Mas não se iludam, a lição foi aprendida, e só quem viveu sabe bem quais são as consequências de um ato capital como esse. Qualquer atuação dos militares no atual contexto será sempre pautada por princípios institucionais e constitucionais. E eles ainda vigem no país.

Não creiam que não exista em cada um de nós o desejo vivo de dar um basta nessa vergonha em que nos transformamos, uma nau à deriva, mas é a sociedade quem tem que fazer valer sua força e exigir as mudanças, seja vigiando a gestão da coisa pública, seja protestando nas praças e nas ruas, seja aprendendo a votar, sobretudo. Os militares não são os tutores dessas transformações.

É preciso, no entanto, que os defensores da democracia verdadeira não se desmobilizem e não percam o foco de suas manifestações, abrindo um largo leque de reivindicações secundárias e afastando-se do fundamental.

Enquanto isso, prestigiem e preservem suas FFAA, tenham-nas como modelo de dedicação, de integridade e de argumentação decisiva e terminante dos nossos interesses capitais.

Entendam todos, políticos, sociedade, mídia, porque devem respeitar, preservar e prestigiar seu Exército. Ele é único. Ele estará presente, sim, como última instância. Sempre, mas a hora tem que chegar.

Encerremos com o que ensinava Rui Barbosa:

“O Exército é uma força essencialmente obediente dentro da lei e da Constituição. Não quer isso dizer que ao Exército caiba o papel de jurista, de leguleio, de intérprete dos casos complexos na inteligência da Constituição e das leis brasileiras. Não. Mas quer dizer que, quando os atos do governo romperem ostensivamente, material e grosseiramente contra as leis e contra a Constituição, é não só direito, mas dever das Forças Armadas, não prestar obediência a estes abertamente rebelados contra a Constituição e contra as leis. ”

Gen Clóvis Purper Bandeira. Publicado no Clube Militar

Revista Sociedade Militar

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